sábado, 25 de fevereiro de 2012

leitura Não aconselhavel a sensiveis!


desabafo e homenagem a um verdadeiro Herói!
Aqui á um ano, sim fez na passada terça-feira um ano, atrás perdi o meu grande amor, toda a gente o sabe... ele era tudo para mim e se por acaso pensam que aquele sorriso que mantinha a todo o segundo era apenas a minha força a manifestar-se desenganem-se, ele era a minha força. Eu nao tinha uma grande noção disso, no fundo sabia-o, sabia que estava assim porque tinha um grande Homem a meu lado. Lutamos contra muitas coisas e muita gente pensa que fui traida muitas vezes por ele o que no fim se veio sempre a revelar mentira, tudo isso foi para me proteger e nunca realmente aconteceu tal coisa. parece uma cena de cinema, é certo, mas não foi. Quando descobriu a sua doença, esteve sozinho no consultório com o médico a dizer-lhe o veredito sem qualquer apoio, julgando nós que ia apenas a uma consulta de rotina para obter o atestado para praticar o curso que ja possuia, treinador. Lembro-me que nesse dia estive com ele e não dei conta de nada, ele parecia-me tao leve, em paz, sereno e digno do nosso amor. Nunca me passou pela cabeça o que ele tinha sabido precisamente nesse dia, era impossivel saber. O mesmo aconteceu nos meses que se sucederam, comecei a estranhar as constantes constipações mas por outro lado e sendo ele um rapaz calorento em que em pleno inverno andava de t-shirt e dormia de boxers, poderia lá imaginar, eram coisas normais para quem agia assim, pensava eu.
Até á primeira recaida dele, num treino em que cai redondo no relvado e é imediatamente levado para o hospital e fica internado... a familia ficou em estado de alerta sem sequer saber do que se estava a passar, eu avisada em Portugal sem entender puto do que se podia passar fui a correr para os seus braços, perguntei-lhe olhos nos olhos o porquê daquilo e ele com a sua serenidade respondeu-me "nunca te esqueças que te amo", aquilo foi estranho... foi a primeira vez que me fugia a uma pergunta tão simples. Insisti mas nada o fazia dizer, ou melhor respondia apenas "é uma gripe". E continuava assim na incerteza de tudo...
Até ao dia em que me vai buscar á escola e estava completamente mudado, conduziu a uma velocidade minima de 120km/h em plena cidade, comigo dentro do carro, coisa completamente impossivel de acontecer se estivesse no seu perfeito juízo... nesse dia chovia e o seu olhar estava confundido entre raiva, tristeza e lágrimas, questionava-o continuamente sobre o porquê de tudo aquilo... fui levada para um rio que nos é muito e ai, ele estaciona as tres pancadas visto que o parque era só nosso, começa a correr deixando o carro aberto e a musica no maximo de volume que conseguia produzir, tudo me parecia sombrio... mas lembrei-me ao pegar no telemovel dele que o primo que lhe tinha falecido á um ano atras faria nesse dia anos... julguei ser esse o motivo da sua perturbação, mas quando tento procura-lo reparo que ja estava dentro de agua em pleno Inverno e num dia chuvoso. Esperei que saisse com toda a calma que naquele momento consegui possuir, sentei-me numa rocha deixando que a musica calma que se reproduzia atras de nós me provocasse ataraxia, o que acabou por acontecer... ele saiu, mais calmo, deixando que as lagrimas, as suas lagrimas se confundissem com a agua que lhe escorria do cabelo, chegou-se perto de mim limpando-se com a t-shirt e tentando vestir ainda molhado a camisa e num segundo estava a apertar-me nos braços com a sua maior força, absorvendo de mim a natural força que necessitava, pedindo-me que nao falasse, que nao perguntasse, apenas o deixasse assim... quieto, inerte no tempo. Na minha cabeça mil perguntas eram construidas, mas preferi nao o fazer, ele precisava de pensar e sabia que quando estivesse pronto iria partilhar tudo.
E acabou por acontecer á tarde, estavamos em minha casa aconchegados pelo calor ambiente, já não chovia la fora, tudo se tinha tornado perfeitamente agradavel porém ainda faltava entender o porque daquela explosao matinal... até que ele me diz "vamos á praia, preciso de ir ao mar". Aceitei a ideia com todo o agrado, feliz da vida por ir á praia com ele... coisa boa. Foi ai que me disse o que se passava, o porque das recaidas, dos desmaios, das constantes constipações fortes... tudo num segundo teve um porquê. Fiquei quieta, inerte no tempo, como se tivesse até de pensar para conseguir respirar, faltou-me o ar, faltou-me o chao. Cai, cai redonda na areia. O mundo tinha-me espetado a maior facada que podia espetar. bati-lhe tanto, julguei-o, martirizei-o por querer e ter optado passar por tudo sozinho até ali. Fugi da beira dele correndo para beira-mar nem sequer olhando para trás, para ele. A minha vontade era entrar mar dentro e esperar que este me engolisse para que nao fosse obrigada a sofrer com ele, a ver a pessoa que mais amo sofrer ainda mais, nao me sentia capaz de tal. Chorei, chorei como já á anos nao chorava, deixei que tudo se confundisse na minha cabeça, ali estava eu com as maos nos bolsos a querer fugir do mundo e sem conseguir encarar a pessoa que mais me amava e que eu mais amava, sem conseguir olha-lo nos olhos e perguntar o que sentia. Estava longe dele, estava longe do mundo, o mundo nao me pertencia naquele momento. Depois de me recompor, olhei para trás tentando encontra-lo, tentando perceber se tudo aquilo nao era um pesadelo horrivel do qual ia acordar deitada na minha cama, até o ver de bruços na areia com a cabeça nos joelhos e telemovel na mao, perguntas me ocorreram ao ve-lo: "será que ja contara á nossa menina? como ira ela reagir? sera que ja sabe? como se estara a sentir? como é que foi capaz de guardar isto durante tanto tempo? Porque? porque a ele?" entre outras. De repente um impulso e a força do vento cruzou e caminhou por mim... levando-me lentamente até ele, permaneci imovel em frente a si, ele ergue a cabeça e pede-me desculpa... lembro-me de lhe responder apenas "nao tens culpa"... ele com ar sereno e lagrimas a escorrerem-lhe pelo rosto delicado pronuncia: "queres perguntar alguma coisa?" e eu apenas lhe respondi entre soluços e lagrimas "tanta coisa e nada ao mesmo tempo, amor"... ele com um gesto me indica para me sentar perto dele, eu fazendo-o, ainda tentando esconder o arraso em que estava perguntei tudo o que queria saber e fiquei incredula com a tamanha informação que ele possuia... descobri que nao havia muitas esperanças e que a operaçao e o transplante nao eram solução.... descobri o verdadeiro homem que sempre tive ao meu lado, com a sua força a sua ingenuidade o seu caracter. E sorri-lhe, disse que iamos superar tudo juntos, sem nunca desistir porque como o irmao dele dizia sempre "A Esperança é a ultima a morrer". Os meses a seguir existiu tudo e mais alguma coisa... ele superou, ele sofreu, ele sorriu, ele chorou, ele teve apoio e acima de tudo e mais importante ele apoiou, nunca mostrou restia de querer desistir, nao se deu por vencido, nunca julgou ninguem por tudo o que lhe acontecera, nunca pediu justifiações nem se martirizou, acima de tudo o meu Tiago Mata viveu. Sei que foi feliz, teve a sua filha (mesmo que nao seja de sangue, sempre a considerou tal), teve a sua irma/afilhada, conseguiu salvar vidas enquanto nadador-salvador, ajudou a familia, saiu com amigos, resolveu todos os problemas e acima de tudo deixou todos os que o conheceram com um orgulho imenso da pessoa que era. E hoje, todos nós choramos pela sua partida mas também todos nós nos orgulhamos e sorrimos por o ter conhecido. Hoje sei que tudo aquilo em que me tornei é em parte devido ao teu enorme e grandioso exemplo de vida. Obrigada por quereres que fosse eu a Mulher da tua vida mas mais importante ainda Obrigada por me teres feito sentir a mulher mais importante do mundo e por tu seres, para sempre, o melhor Homem do mundo e o homem da minha vida!
Não foi o que aconteceu que te dira apagar da minha memoria, alias só irei guardar o teu testemunho para ultrapassar tudo o que na vida me aparecer! Não foste o meu fim, mas foste sem duvida o meu inicio meu amor. Continuas bem aqui <3 presente no meu coração, hoje e sempre!
Amo-te muito Tiago Mata. O verdadeiro herói, aquele que ninguem destruiu e ninguem é capaz de superar a sua força.
Obrigada por tudo meu puto.

SoraiaMontes
com saudades do melhor homem do mundo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não é por vontade, é por necessidade.


Estou num perfeito dilema! Não é novidade para ninguem se disser que sou demasiado complicada, que penso de uma maneira muito calculista, no sentido de "maturidade", cresci bem depressa, como dizem... nao deixo que nada me fuja do controlo e quando isso acontece quem foge das situações sou eu, não sou fácil e nunca foi meu objectivo se-lo... senao vejamos: se fosse facil muita gente ia usar abusar e deitar fora, sendo como sou... poucas pessoas se aproximam de mim e isso dá-me margem para não me magoar, para estar atenta a quem me rodeia não no intuito de nao confiar em ninguem mas no intuito de me proteger de toda a gente... se é que me faço entender. Sempre fui julgada, criticada, humilhada mas nunca mostrei parte fraca, um sorriso foi sempre sempre (e sempre) a minha maior e melhor arma. Derrotei cada obstaculo assim... encarando de cabeça erguida, olhar confiante mas um enorme aperto no coração! Ultrapassei obstaculos pequenos e obstaculos que me fizeram chorar, gritar e por vezes odiar-me a mim propria por ser incapaz de demonstrar aos outros o que realmente sentia... mas sempre fui assim "feita de fibra", ja dizia a minha avó! Com o tempo fiquei cada vez menos capaz de perceber os que demonstravam as suas fraquezas para quem quisesse derruba-los faria-o num ápice... sempre guardei as minhas dores, sempre fingi estar bem quando por dentro tinha o coraçao feito em pedaços pequenininhos, sempre pensei que nao me adiantaria de nada lamentações portanto o que veem é e será sempre o meu sorriso, a minha alegria falsificada, o meu humor drastico, o meu riso estonteante e o meu olhar? Esse ainda é o espelho da minha alma, até ver.
Não sou assim por vontade, sou o por necessidade.
Quanto menos souberem, menos teem capacidade de te atacar e magoar.
Mas a verdade é que quem me conquista, tem acesso em primasia a todos os recantos da minha alma, até me magoarem porque perdoar? A vida ensinou-me a não faze-lo porque um dia tudo o que poderia perdoar poderia ser utilizado contra mim, assim não. Pois eu sei todos os erros que ja me cometeram, assim como sei os que ja cometi mas acima de tudo valorizo o bem que me fazem e a essas pessoas? Tudo o que lhes possa dar, será pouco.
Será tao pouco quanto o numero que estas são, uma mão deve chegar para os contar. São poucos mas valem por todos no mundo.
Obrigada.


SoraiaMontes

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

sonhos, uma forma de cair.

Deixou de valer a pena sonhar!

Não escrevo á muito tempo, pelo que já reparei, mas tambem nao será agora que o vou fazer. Só digo isto: sonhar? só se quiseres matar o teu interior. a dor do "não" é maior que a dor do "nao tenho nada para sonhar" as vezes é melhor assim, nao planear, nao imaginar, nem sequer pensar.

Já tu proprio dizias: "Encara a realidade, porque é a unica certeza que tens!"